Fernando Taliberti, Mestre em e-Business e Tecnologias para a Gestão pelo Politecnico di Torino (Itália) e Engenheiro de Produção pela UFRJ, escreveu este artigo para a revista eletrônica Techoje, do Instituto de Educação Tecnologica – IETEC. O texto fala sobre os tipos de inovação existentes e como fazer a gestão destas inovações para obter mais resultados.

O que inovação tem a ver com estratégia? A resposta é “tudo”. Para inovar de maneira consistente, qualquer organização, seja ela uma empresa, uma ONG, ou uma entidade governamental, deve ter uma estratégia de inovação. Como o assunto em questão é a criação de vantagem competitiva, vamos focar nas empresas.

As empresas normalmente inovam visando o lucro. Pode-se dizer “normalmente” porque inovação é uma palavra da moda, o que leva algumas empresas a buscar a inovação de maneira pouco criteriosa e, em alguns casos, sem realmente avaliar a possibilidade de lucro. Parece insanidade? Isto foi feito inúmeras vezes durante o boom da internet. Muitas empresas surgiram sem ter sequer perspectiva de lucro e angariaram investimentos para começar a operar somente porque eram baseadas em idéias inovadoras.

Embora o estouro da bolha tenha servido para alertar que esse não é o melhor caminho para inovar e que a inovação está diretamente ligada ao risco, muitas empresas ainda não estão preparadas para gerenciá-la de maneira consistente e lucrativa. Inovar para criar vantagem competitiva é a grande demanda das empresas de hoje. Mas como fazer isso?

A primeira coisa que as empresas precisam entender é como funciona a dinâmica da inovação e dentre quais tipos de inovação ela pode escolher. As inovações podem ser incrementais, quando simplesmente agregam um valor extra ao produto, serviço ou processo pré-existente, ou radicais, quando oferecem uma mudança significativa para o cliente ou usuário da inovação.

Inovações radicais normalmente requerem uma mudança de comportamento do cliente ou da relação dele com a inovação. Em alguns casos, as inovações radicais podem chegar a ser disruptivas, destruindo a ordem dominante em determinado mercado ou indústria.

Inovações radicais têm uma curva de adoção que deve ser compreendida e gerenciada. É isso mesmo, gerenciada! Conhecendo a curva de adoção de inovações é possível lidar com ela da maneira adequada, conquistando primeiramente os inovadores, ávidos por novidades, e em seguida os cada vez mais conservadores e garantindo assim uma boa penetração no mercado.

Inovações de sucesso têm um marketing adequado. Quem não acredita que o sucesso do iPod seja diretamente ligado ao marketing? Marketing sim, e grande parte deste marketing está no próprio produto, em seu design, sua facilidade de uso e o conceito que ele se propõe a passar.

Uma empresa inovadora precisa também de uma gestão de portfólio de produtos adequada. Produtos novos ou inovadores têm um risco de fracasso associado. Por outro lado, produtos hoje bem sucedidos têm 100% de chances de perder mercado no longo prazo. É preciso criar produtos inovadores para ter uma empresa sustentável. Ora, se inovar tem um risco associado, não inovar tem, portanto, um risco ainda maior!

Mas a inovação pode ir bem além dos produtos e serviços. É possível inovar em processos, tecnologia, no mercado alvo, nos fornecedores escolhidos, na forma como se gere a cadeia de suprimentos, etc. Sem dúvida são necessárias idéias criativas que possam ser transformadas em inovações. A criatividade corporativa é um combustível fundamental para a empresa inovar. Mas não é preciso inventar a roda, é claro. A verdadeira criatividade pode estar em olhar para fora da empresa de maneira sistemática e identificar tendências, tecnologias, ferramentas ou qualquer outro instrumento que possa contribuir para a inovação dentro da empresa.

Como inovar em tantas áreas e ainda garantir a lucratividade? Essencial para o lucro é ver a inovação como um processo. Enquanto o comportamento criativo é importante, um processo para planejar, gerar, selecionar, implementar e avaliar continuamente as inovações é o que vai garantir que idéias sejam convertidas em lucro. Parece complexo? Pode não ser tão simples quanto apenas gerar idéias, mas é necessário. E vale a pena.

Empresas que inovam podem ter retorno sobre investimento dezenas de vezes maiores que empresas com estratégias “seguidoras” em relação à inovação. O mercado que está absorvendo uma inovação é sempre um mercado em crescimento. Para quem chega mais cedo, conquistar uma fatia grande deste mercado pode ser muito mais barato do que para quem chega quando ele já está estabelecido. É fácil então entender porque o retorno sobre o investimento é tão maior para quem sempre pensa em inovar.

A moral da história? Inovar vale a pena, mas requer boa gestão! As empresas e os profissionais que desejam inovar, precisam entender os mecanismos da gestão da inovação para tirar proveito dela. Quem sabe estamos falando do próximo iPod?