Este texto foi tirado de um blog muito bom chamado Empresas de Base Tecnologica (EBTs) – Brasil. Este artigo mostra algumas características do perfil de um empreendedor

No mundo contemporâneo diversas são as pesquisas, teorias e propostas direcionadas ao entendimento do ator profissional denominado empreendedor e sua mecânica de trabalho, o empreendedorismo.

No trabalho intitulado Uma nova noção de empresário: a naturalização do “empreendedor” LEITE & MELO (2008) apontam que enquanto há, de um lado, uma literatura acadêmica que estuda o empreendedorismo como um tipo de ação econômica e o empreendedor como um ator social a quem corresponde um tipo de prática ligada à liderança e à inovação, há também, de outro, uma literatura não acadêmica que faz do empreendedorismo um conjunto de princípios ideais de bom comportamento e que, a partir desse conjunto, estabelece prescrições normativas para aqueles que desejam tornar-se empreendedores.

Para estes autores, o empreendedorismo pode, sob um determinado ponto de vista, pode ser entendido como uma ideologia do capitalismo atual que surge para garantir a adesão e a legitimidade a atividades antes não valorizadas. Assim, por meio de conselhos e da divulgação dos casos exemplares de sucesso (assim como foi com o protestantismo, no início do capitalismo), formam-se sujeitos com disposição para atuar economicamente e de forma reconhecida como boa e justa.

SCHMIDT & BOHNENBERGER (2009) em seu trabalho propõem um modelo de medição para o perfil e a intenção empreendedora de indivíduos baseados nos crescentes esforços dos governos e instituições de ensino no intuito de promover o comportamento empreendedor. Segundo os autores, uma das formas de trazer maior relevância para esta discussão é propor um método para associar o perfil empreendedor ao desempenho organizacional. Assim, poderiam ser verificadas, por exemplo, quais características empreendedoras promovem de modo mais efetivo o desempenho de uma organização.

Desta forma, a partir de uma revisão da literatura sobre o assunto e conceitos construídos com a participação de especialistas na área, estes autores propõem algumas características essenciais na identificação do Perfil Empreendedor apresentadas no quadro abaixo:


CARACTERÍSTICA DESCRIÇÃO
Auto-eficaz “É a estimativa cognitiva que uma  pessoa  tem  das  suas  capacidades  de  mobilizar motivação, recursos cognitivos e cursos de ação necessários para exercitar controle sob eventos na sua vida” (Chen, Greene, & Crick, 1998, p. 296).  “Em quase todas as definições de  empreendedorismo, há  um  consenso  de  uma espécie de comportamento que inclui: (1) tomar iniciativa; (2) organizar reorganizar mecanismos sociais e econômicos, a  fim de transformar recursos e situações para proveito prático; (3) aceitar o risco ou o fracasso” (Hisrich & Peters, 2004, p. 29).
Assume riscos calculados Pessoa que, diante de um projeto pessoal, relaciona e analisa as variáveis que podem influenciar o seu resultado, decidindo, a partir disso, a continuidade do projeto (Carland et al., 1988; Drucker, 1986; Hisrich & Peters, 2004).“Indivíduos que precisam contar com a  certeza  é  de  todo  impossível  que  sejam  bons empreendedores” (Drucker, 1986, p. 33).“O passaporte das empresas para o ano 2000 será a capacidade empreendedora, isto é, a capacidade de inovar, de tomar riscos inteligentemente, agir com rapidez e eficiência para se adaptar às contínuas mudanças do ambiente econômico” (Kaufman, 1991, p. 3).
Planejador Pessoa que se prepara para o futuro (Filion, 2000; Kaufman, 1991; Souza et al., 2004).“Os empreendedores não apenas definem situações, mas também imaginam visões sobre o que desejam alcançar. Sua tarefa principal  parece  ser  a  de  imaginar  e  definir  o  que querem fazer e, quase sempre, como irão fazê-lo” (Filion, 2000, p. 3).“O empreendedor é aquele que faz as coisas acontecerem, se antecipa aos fatos e tem uma visão futura da organização” (Dornelas, 2001, p. 15).
Detecta oportunidades “é a habilidade de capturar, reconhecer e fazer uso efetivo de informações abstratas, implícitas e em constante mudança” (Markman & Baron, 2003, p. 289).“que tem capacidade de identificar, explorar e capturar o valor das oportunidades de negócio” (Birley & Muzyka, 2001, p. 22).“A predisposição para identificar oportunidades é fundamental  para  quem  deseja  ser empreendedor e consiste em aproveitar  todo  e qualquer ensejo para observar negócios” (Degen, 1989, p. 19).
Persistente “capacidade de trabalhar de forma intensiva, sujeitando-se até a privações sociais, em projetos de retorno incerto” (Markman & Baron, 2003, p. 290).“Desenvolver o perfil empreendedor é capacitar o aluno para que crie, conduza e implemente o processo de elaborar novos planos de vida. … A  formação empreendedora baseia-se  no  desenvolvimento  do  autoconhecimento,  com  ênfase  na  perseverança,  na imaginação,  na  criatividade,  associadas  à  inovação”  (Souza,  Souza,  Assis,  &  Zerbini, 2004, p. 4).
Sociável Envolve o grau de utilização da rede social para suporte à atividade profissional (Hisrich & Peters, 2004; Longenecker et al., 1997; Markman & Baron, 2003).“Os empreendedores… fornecem empregos, introduzem inovações e estimulam o crescimento econômico. Já não os vemos como provedores de mercadorias e autopeças nada interessantes. Em vez disso, eles são vistos como “energizadores” que assumem riscos necessários  em  uma  economia  em  crescimento,  produtiva”  (Longenecker,  Moore,  & Petty, 1997, p. 3).
Inovador Pessoa que relaciona idéias, fatos, necessidades e demandas de mercado de forma criativa (Birley & Muzyka, 2001; Carland et al., 1988; Degen, 1989; Filion, 2000).Carland, Hoy e Carland (1988) concluem que o empreendedorismo é principalmente função de quatro elementos: traços de personalidade (necessidade de realização e criatividade), propensão à inovação, risco e postura estratégica.
Líder Pessoa que, a partir de um objetivo próprio, influencia outras pessoas a adotarem voluntariamente esse objetivo (Filion, 2000; Hisrich & Peters, 2004; Longenecker et al., 1997).“Uma vez que os empreendedores reconhecem a importância do seu contato face a face com outras pessoas, eles rapidamente  e  vigorosamente  procuram  agir  para  isso” (Markman & Baron, 2003, p. 114).
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