Muito se fala sobre qual seria o perfil de uma pessoa inovadora. Que características e comportamentos específicos ela deve ter. Este texto foi adaptado do artigo Pílulas da Teoria, que foi publicado no Correio da Inovação pela Innoscience. O artigo trata das fases do processo de inovação relacionando cada uma com uma competência diferente.

O perfil do empreendedor inovador

Qual o perfil do empreendedor inovador? É preciso ser um gênio? Tenho de dominar todo o conhecimento relacionado a minha solução tecnológica? Tenho que passar a andar de chinelos e vestir calça rasgada para incorporar o estereotipo do inovador ou devo andar apenas de terno e gravata para incorporar o estereotipo do empreendedor de sucesso? Estas são questões que afligem a um grande número de empreendedores de Startups.

Acreditamos que os empreendedores podem ser preparados para inovar. O processo de inovação, que denominamos de Cadeia de Valor da Inovação, é dividido em quatro fases – idealização, conceituação, experimentação e implementação. Essas fases demandam competências distintas das empresas e por conseqüência dos profissionais. O primeiro passo é deslocar o foco do perfil do individuo para as competências necessárias em cada uma das fases da cadeia de valor da inovação. As pessoas não precisam nascer inovadoras, podendo desenvolver-se à medida que identificarem seus pontos fortes e fracos para inovar. Analisemos cada uma das fases e as competências necessárias.

A melhoria dos resultados da gestão da inovação depende da eficácia com que a empresa gerencia cada uma dessas fases. O processo inicia com a geração de novas idéias (idealização), segue com o refinamento do conceito da idéia proposta (conceituação), passa pela redução das incertezas (experimentação) e chega à concreta transformação das idéias em inovações (implementação). Esta classificação foi criada pela Innoscience para descrever o perfil dos executivos das organizações já estabelecidas de médio e grande porte mas possuem total aderência ao perfil dos diferentes perfis dos empreendedores de startups.


Fonte Ilustrações: Revista Amanhã

Na figura de Idealizador temos o perfil do empreendedor que possui uma boa visão holística do universo ao qual a empresa está inserida e adora identificar problemas e criar soluções criativas para resolver estes problemas e dessas soluções desenvolver idéias de novos negócios, transformando o problema em oportunidades a serem exploradas. Em geral estes profissionais possuem uma formação sólida nas áreas de mercado e estratégia e também podem possuir uma boa formação na área tecnológica em si.

O Conceituador tem como principais habilidades e competências a capacidade de conectar as diferentes áreas de conhecimento envolvidas no novo negócio e aprofundar o desenvolvimento da ideia, estruturando a ideia na forma de um projeto com objetivos e necessidades e agrupando as várias áreas de conhecimentos e plataformas tecnológicas necessárias para seu desenvolvimento. Estes profissionais geralmente tem uma formação hibrida possuindo bons conhecimentos da área de negócio e da área técnica.

O Experimentador é aquele profissional que assume o arquétipo do inovador, é aquele profissional que se dedica a desenvolver tecnicamente a solução tecnológica a ser apresentada ao mercado. Suas principais capacidades são vasto conhecimento técnico sobre o objeto a ser desenvolvido, abertura para aprender e desenvolver projetos piloto, capacidade de identificar incertezas, alta capacidade de concentração e dedicação, mente criativa para a busca de soluções para as barreiras tecnológicas enfrentadas pelo projeto e sua predisposição a aceitar riscos e capacidade de encontrar formas criativas de mitigá-los. Estes profissionais possuem forte formação técnica na área tecnológica da solução desenvolvida.

Segundo a Innoscience, o último estágio da Cadeia de Valor da Inovação compreende a figura do Implementador, aquele profissional que tem como sua principal competência transformar o projeto de pesquisa desenvolvido pelo Experimentador em um negócio efetivo, cuidando da transição da solução da esfera interna (empresa) para a esfera externa (mercado). Suas principais competências são o foco na realização de resultados, foco do cumprimento das metas do trinômio prazo, custos e escopo. Estes profissionais possuem a mais diversa formação mas geralmente têm larga experiência e uma formação complementar em gerenciamento de projetos.

Particularmente nós da Valor & Inovação gostamos de incluir nesta classificação um outro perfil que possui como sua principal competência a habilidade de envolver, motivar e trazer pessoas para a equipe e alta capacidade de comunicação e de despertar o envolvimento emocional. Suas principais funções podem ser divididas em duas esferas uma interna e outra externa a organização. A principais funções internas são “vender” a idéia do projeto para os profissionais da equipe, gerenciar os aspectos emocionais do projeto como envolvimento e ser o elo de ligação entre os fatores humanos, técnicos e organizacionais. A principais funções externas são “vender” a idéia do projeto para os stakeholders externos a empresa, buscar por investidores e servir de RP da organização. Gostamos de chamar este profissional de Humanizador e sua importância é cada dia maior devido a sua influência no valor do capital humano e do capital intelectual os ativos mais importantes de uma startup e por sua capacidade de conseguir os recursos necessários ao desenvolvimento do projeto e a decolagem do negócio.

A compreensão da melhor composição de competências e talentos para inovar passa pelo entendimento de quais competências são necessárias para cada um dos estágios da cadeia de valor da inovação, conforme apresentado no quadro acima. Analisando o quadro é possível perceber que há um deslocamento de competências ao longo da cadeia de valor da inovação. O criativo e questionador da primeira fase dá lugar ao desenvolvedor da ideia na etapa de conceituação. Começa a ser requerida a capacidade de montagem de projetos. Já na terceira fase apresentam-se novas competências relacionadas a aprendizado, gestão dos projetos piloto, capacidade de identificação de incertezas. A quarta e última fase trata da implementação, quando são demandadas competências de gestão de projetos, orçamentos, pessoas e capacidade de execução. A fase agregada por nós da Valor & Inovação, a quinta fase, corre em paralelo as quatro primeiras fases e tem como principais destaques: a capacidade de gerenciamento das emoções e do capital humano; a busca de apoio externo aos projetos e na construção da cadeia de valor do negócio; e a divulgação dos projetos e de informações sobre a organização para os stakeholders. Não existe uma relação de maior ou menor importância entre estes cinco perfis mas sim de complementaridade, ou seja, uma startup “ideal” deve possuir os cinco perfis distintos em sua equipe mesmo que vários deles sejam exercidos por uma mesma pessoa.

Depois de analisadas as competências que os empreendedores e profissionais precisam para inovar em cada uma das fases da cadeia de valor da inovação é hora de auto-avaliar as competências de sua equipe frente as requeridas em cada uma das fases para identificar gaps de capacidades. Cada empresa deve estabelecer uma política para internalizar as competências de inovação que suporte sua estratégia de inovação. Algumas empresas optam por ter determinados membros da equipe especializados em uma ou mais etapas de forma que no conjunto consigam cobrir todas as fases da cadeia de valor da inovação, outras empresas têm investido na disseminação de todas as competências para sua equipe de forma igual a fim que todos contribuam em todo o processo de inovação. Qual a melhor opção? A resposta para esta pergunta varia de empresa para a empresa de acordo com as características dos profissionais que a compõem e a própria filosofia da organização e de seus criadores.

Qual desses perfis já estão internalizados na equipe de sua startup e quais não? Vamos a caça dessa complementaridade e do sucesso!

Escrito por Maximiliano Carlomagno e Felipe Scherer e adaptado por João Marcelo Moreira Braga