Fonte: Technology Ventures – From Idea to Enterprise, Drof C. R. e Byers H. T.

Este é o nono artigo da série Criando EBTs de Sucesso. É o terceiro texto do módulo II – As oportunidades e o sumário empresarial – seção I e foi extraído do livro Technology Ventures – From Idea to Enterprise

Seção I – Aborda o início de uma EBT alinhada com pontos vitais para o sucesso
Módulo II –
As oportunidades e o sumário empresarial


O EMPREENDEDOR E A OPORTUNIDADE

O primeiro papel do empreendedor – um indivíduo ou grupo de pessoas – é identificar e selecionar uma oportunidade apropriada. O empreendedorismo começa com uma idéia que, após uma reflexão, mostra ser uma oportunidade valiosa. Os empreendedores eficazes reconhecem e perseguem oportunidades baseadas em atender às necessidades do mercado, resolver problemas ou atender a um nicho em um tempo razoável. Existe uma linha de tempo para cada oportunidade. Peter Drucker, 1993, descreve o papel do empreendedor como inovador:

“Inovação é uma ferramenta específica dos empreendedores, o meio pelo qual eles exploram uma mudança como uma oportunidade para diferentes negócios ou serviços”.

Empreendedores eficazes freqüentemente consideram a oportunidade um processo criativo que relaciona uma necessidade com um ou mais métodos, meios ou serviços associados, combinados para resolver o problema. Este processo associativo é relacionado com o conceito de convergência que é composto por dois ou mais meios, métodos ou tecnologias que resolvem o problema e superam a ansiedade.

Freqüentemente a oportunidade será revista por uma equipe ou grupo de indivíduos criativos, trabalhando juntos para selecionar uma boa oportunidade. Os empreendedores são freqüentes sonhadores, visionários, ou apenas bons pensadores. Freqüentemente um ou mais elementos da equipe têm grandes habilidades intuitivas e podem gerar idéias facilmente. É então função da equipe auxiliar a selecionar a oportunidade que melhor se ajuste às capacidades e recursos que a equipe possui ou venha a assegurar.

Os empreendedores são focados na oportunidade e trabalham para encontrar uma estratégia que possa transformar esta oportunidade em um sucesso frutífero. Eles buscam novas maneiras ou métodos e estão dispostos a se comprometer para resolver um problema social ou de negócios que resulte em sucesso. Os empreendedores trabalham para utilizar pequenos períodos de tempo para decidir sobre uma estratégia apropriada e aproveitar uma oportunidade. Tipicamente, os empreendedores inovadores têm uma paixão por construir uma empresa que irá resolver um problema importante. Eles buscam maneiras para se expressar e validar suas idéias. Eles são criativos, auto-motivados e atraídos pelo novo, por grandes idéias ou por oportunidades.

Um ou mais elementos da equipe de empreendedores usualmente têm alguma experiência na indústria na qual o empreendimento irá operar. Alguns falam que o empreendedor bem sucedido tem uma grande sorte, mas precisamos lembrar o velho ditado de que sorte é onde a preparação e oportunidade se encontram. A equipe tem que ter as competências necessárias e estar comprometida com o projeto.

Bons empreendedores buscam a flexibilidade, para que possam adaptar-se às condições de mudança e reduzir os riscos do empreendimento. Eles criam uma visão global do negócio e usam isto para motivar os funcionários, aliados e financiadores. Talvez as mais importantes qualidades ou características do empreendedor sejam as habilidades de cumprir as tarefas necessárias, atingir metas, inspirar os outros a ajudá-los nestas tarefas, fazendo isto com o esforço sustentável requerido.

Os membros da equipe empresarial têm que exibir qualidades de liderança. Liderança é a habilidade de criar mudanças ou transformar organizações. A liderança dentro de uma organização permite que a mesma se adapte ou mude de acordo com as circunstâncias. A medida real de liderança é a habilidade de adquirir as habilidades necessárias conforme a situação sofre mudanças. As competências da liderança são atingidas pela experiência e pelo talento inato. Talento consiste em brilho, charme e ambição. O empreendedorismo refere-se a pessoas que atuam coletivamente dentro das organizações para identificar, explorar oportunidades e, finalmente, criar valor (riquezas) para a sociedade. Os empreendedores são inovadores ou agentes de mudanças, ou reconhecem uma boa oportunidade quando se defrontam com uma. Os empreendedores exibem uma confiança robusta atingindo algumas vezes a fronteira da super-confiança.

As capacidades requeridas para uma equipe empreendedora são mostradas na tabela 2.6. Em geral todos os empreendedores devem ter a maioria destas qualidades para participar de um novo empreendimento. Claro que nem todos os membros da equipe têm o mesmo conjunto de capacidades, mas é útil que todos os membros da equipe possuam, em certa medida, cada característica (ou aprecie e respeite quem a tenha).

Equipes empresariais bem sucedidas dependem das capacidades intrínsecas a cada membro e da habilidade de acomodar e gerenciar riscos. Eles podem atrair, treinar e reter pessoas intelectualmente brilhantes e educadas, capazes de ter visões multidisciplinares [van Praag, 2001]. Usando o tipo de indicador Meyers Briggs os empreendedores são freqüentemente classificados como ENTP. Eles têm uma orientação externa (extroversão), E: são inovadores e intuitivos, N: são sensíveis a mudanças e idéias, T: são perceptivos, P (veja em www.mbti.com o teste de Meyers Briggs).

As pessoas agem como empreendedores independentes quando sua própria carreira é vista como mais importante do que seu emprego atual. Considere a satisfação (utilidade) derivada de um acordo de emprego. A função utilitária, U é [Douglas, 1999]:

U = f(Y, I, W, R, O)

Onde Y = salário, I = independência, W = esforço de trabalho, R = risco e O = outras condições de trabalho. Também, deve ser assumido que o salário depende por sua vez das habilidades. As pessoas terão um incentivo para se tornar empreendedores quando a maior satisfação (utilidade) for obtida da atividade empresarial. Em outras palavras, o empreendedorismo se paga devido ao alto potencial de ganho e à independência, requerendo níveis razoáveis de risco e de esforço de trabalho.

Em negócios inovadores os resultados do empreendimento são menos conhecidos e, o retorno esperado, a independência, o esforço de trabalho e o risco podem ser apenas estimados. É a combinação de todas estas quatro características que influencia na decisão. A atualidade real é atingida no período de N anos. Negligenciando o fator O, podemos postular um índice de utilidade chamado Atrativo Empreendedor (AE). O índice pode ser calculado com o índice linearmente ponderando.

EA = SN0 (w1Y+w2I-w3W-w4R)dt.

Adicionalmente, esperamos que uma pessoa muito confiante, talentosa e experiente, é capaz de aceitar mais riscos.

Como um simples exemplo considere um empreendimento de 5 anos para uma pessoa que possui pesos iguais wi = ¼ e  onde Y = 3, I = 4, W = 2 e risco menor, R = 1 . Usamos a escala de 1 a 5 com 1 = baixo, 3 = médio, 5 = alto para Y, I , W e R. Neste caso, o salário será bom, a independência alta, o trabalho moderado e risco baixo.

Então teremos:

EA = ¼[Y+I)-(W+R)]xN = ¼[7-3]x5 = 5

Um índice muito positivo e atrativo que poderá levar a pessoa a escolher o caminho empreendedor.

Sumarizando, uma pessoa escolherá seguir um caminho empreendedor quando os benefícios da independência e do alto rendimento compensarem o esforço de trabalho requerido e o risco do empreendimento. O rendimento, independência, esforço de trabalho e o risco do empreendimento esperados dependem da qualidade da oportunidade, da estratégia proposta para o empreendimento e da equipe de trabalho que irá executar a estratégia do empreendimento. Lamentavelmente, vários empreendedores supervalorizam os benefícios da independência e do rendimento, subestimando o esforço de trabalho requerido.

George Bernard Shaw [1903] resumiu isto muito bem:

“O homem razoável adapta-se ao mundo: o irracional persiste em tentar adaptar o mundo a si próprio. Portanto todo o progresso depende do homem irracional”.